Aproveito uma noite sem festa (ainda bem) para actualizar isto um bocadinho mais, agora a falar sobre a minha banda.
É muito dificil levar uma banda adiante, sobretudo quando não tudo o pessoal vai para o mesmo lado. Já fora do pessoal, há diferenças musicais. Os que criticam o facto de eu gostar do novo album dos Green Day ou de Avril Lavigne são depois os mesmos com os que tenho de lutar para que a banda não tenha o mesmo som que uma banda de nenos da escola. Às vezes mesmo não acredito algumas coisas.
Por sorte, o baixista (músico de conservatório) sabe de que coisa falo e configura o ampli do outro guitarrista antes dos ensaios. O cantor passa quase de tudo, mas percebe quando falo de que falta força ou de que não soamos duros. Isso é algo que nunca chegarei a compreender. Se Nobody's Home de Avril Lavigne é algo tão mau... por que às vezes soa muito mais cortante que nos?
No fundo suponho que o problema tem uma certa explicação.
O baixista sabe um monte sobre teoria da música e é a base do grupo. Ele é capaz de desfazer um estilo em partes pequenas e refazer pouco a pouco para que cada um possa ir entrando. Aliás, tem a mente aberta, muito mais que eu, por exemplo. Contudo, não tem de forma natural ese "espírito" rock. Para ele a música é algo técnico/mecánico no momento de meter-se nela, não consegue guiar-se por sensações. É algo assim como o Ian Anderson de Jethro Tull, que toca numa banda de rock mas não gosta de rock (ou ao menos de assistir a concertos).
O cantor estava com o baixista numa banda de pop rock relax antes de tudo isto, depois sacou um album de rap... dá-lhe a tudo. As suas letras cortam. No começo não estava muito convencido já que não era o tipo de cantor que eu procurava, mas tem ganhado o lugar sobradamente.
O outro guitarrista... O outro guitarrista era o que punha os discos no 1 da radio vivindo numa casa baixa no extrarádio da cidade e sem ninguém mais na casa. É filho único e isso nota-se. As vezes que esteve em Porto foram bastante bluf e em BCN o outro dia melhor não falar... É uma pessoa como o pai... calculada, que pensa tudo 124414 vezes e que precisa de sair de cabeça ao mundo com urgência. Depois está o seu ex-professor de guitarra... o típico que toca dios e que sabe como tocar com os dentes... mas que toca flamenco porque cansou do rock. Mala influência se queres tocar punk.
E depois estamos o bateria e eu... especialistas em fechar bares, em ir a discotecas só para organizar gresca... e que gostamos de soar duros, directos e sem deixar dúvidas a ninguém. Ele com as suas canções escatológicas e eu com a mistura entre as trágicas e as absurdo-festivas. E, nota importante, somos os que ouvimos as coisas mais diferentes e, por tanto, sabemos melhor a diferença entre estilos. Se não sabes que é pop, não podes saber se estás a soar pop ou não. Somos as pessoas mais diferentes do grupo e, no entanto, somos as mais parecidas numa banda. Por algo somos os únicos membros dos Cannbal Fag xd.
Nada, só queria queixar-me um bocadinho...
P.D. Por certo, eu também recebi a metade do soldo (pronto, nem sequer é a metade)
sexta-feira, 12 de junho de 2009
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